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170 anos de Escola Dominical no Brasil (1855-2025)

        Apesar das Assembleias de Deus brasileiras comemorarem o Dia Nacional da Escola Dominical no terceiro domingo de setembro, a data oficial e histórica é no dia 19 de agosto. Nessa data, 19 de agosto de 1855, o casal Robert Reid Kalley e Sarah Poulton Kalley fundaram a primeira Escola Dominical, na cidade de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro. Eles também foram os fundadores da Igreja Evangélica Fluminense. Portanto, em 2025 a Escola Dominical no Brasil comemora 170 anos de fundação.
        
        No mundo, a EBD  foi fundada em 7 de julho de 1780 na cidade de Gloucester, Inglaterra, pelo jornalista evangélico Robert Raikes, que iniciou o projeto com as crianças. “Raikes foi inspirado a fundar a Escola Dominical ao sentir compaixão pelas crianças de sua cidade, perambulando pelas ruas, entregues à delinquência”.  Raikes não se limitava ao ensino bíblico, mas lecionava matemática, linguagem, civilização e incentivava a memorização de textos bíblicos. 
        Em três anos, sete Escolas Dominicais foram fundadas em Gloucester, com cerca de trinta alunos cada. Ao publicar em seu jornal um artigo sobre o impacto da EBD na vida das crianças, Robert Raikes fundou oficialmente a Escola Dominical no dia 3 de novembro de 1783. “Em 1784, isto é, quatro anos após o início do movimento, a Escola Dominical já contava com 250 mil alunos matriculados”.  Em sua dissertação de mestrado, Abigail Daneluz afirma que a escola pública inglesa surgiu de dentro da Escola Dominical de Raikes. 
 
        No Brasil, como já dito acima, a EBD foi fundada em 19 de agosto de 1855 , ou seja, 75 anos depois de sua fundação na Inglaterra. Robert Kalley e Sara Kalley foram os fundadores.  Eles pertenciam à Igreja Congregacional e vieram da Escócia via a Ilha de Madeira ao Brasil. Da mesma forma que começou na Inglaterra, a EBD no Brasil germinou em solo infantil: Apenas cinco crianças participaram da primeira aula. No entanto, o projeto educacional floresceu e expandiu-se por todo o país.
 
        Vale ressaltar que as Assembleias de Deus e a Escola Dominical se entrelaçam em suas histórias. Desde a criação da Escola Dominical, todo crente assembleiano é incentivado por seus pastores a ser um aluno da escola que, na maioria dos casos, acontece aos domingos pela manhã. Apesar da aversão ao ensino formal nos seus primeiros anos , as ADs  sempre valorizaram as reuniões aos domingos de manhã para o estudo das Escrituras.
 
        Para Marcos Tuler, a EBD é relevante por ser um meio de cumprir a grande comissão dada por Jesus à igreja, por favorecer a comunhão da membresia com Deus e com outros membros, pela relevância na edificação do cristão e porque a EBD ascende como a principal agência de ensino da igreja.  “A Escola Dominical não é apenas um apêndice da estrutura geral da igreja ou simples departamento secundário. Ela se confunde com a própria essência da igreja”. 
 
        A criação das Lições Bíblicas na Escola Dominical nas Assembleias de Deus ocorreu em 1930 por ocasião da primeira Convenção Geral das ADs brasileiras, tendo como seus fundadores os missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg, que chegaram no Brasil em 1910, e Samuel Nystrom, que em 1916 chegou em Belém do Pará ao lado de sua esposa Karolina Josefina Berggren.  Nesse período somente os adultos foram contemplados com as revistas da Escola Dominical. Dez anos depois, em 1940, Emílio Conde  assumiu a direção das LBs e incluiu as crianças no projeto educacional da denominação. “A função das Lições Bíblicas, desde o início, foi o de comunicar verdades doutrinárias aos crentes pentecostais”. 
Obviamente que naquele período já havia periódicos evangélicos de cunho doutrinal no Brasil, originados pelos protestantes, a exemplo da Igreja Metodista, que desde 1886 já produzia material para as Escolas Dominicais. Mas, no pentecostalismo, especialmente nas Assembleias de Deus, as revistas de Escola Dominical compreendem um documento que expressa o pensamento doutrinário da denominação.
 
        Entretanto, segundo Gilberto, recursos da EBD são ignorados por parte das ADs: “As Assembleias de Deus no Brasil […] não têm explorado todo o terreno ou potencial da Escola Dominical, nem lançado mão de todos os seus recursos”.  Antônio Gilberto aponta que o despreparo por parte dos professores, a falta de objetivos claros por parte da superintendência e a desvalorização das famílias são fatores preponderantes que precisam ser analisados.  
 
        Claudionor de Andrade (2002) afirma que a maior expressão da educação cristã dentro das ADs está na Escola Dominical.  Andrade ainda lembra que “Todas as vezes que a igreja descura de sua missão magisterial, o mundo é assaltado por desgraças e infortúnios, cujas consequências são ressentidas por gerações”.  Andrade define a teologia da educação cristã como:
 
        A ciência teológica que tem por objetivo fundamentar biblicamente o magistério eclesiástico, ordenando sistematicamente suas conclusões, a fim de levar a Igreja, na capacitação do Espírito Santo, a refletir, a conscientizar-se e a cumprir plenamente sua missão pedagógica. 
 
        Sob esse ponto, o autor formula que a educação cristã tem na Escola Dominical a sua maior expressão,  e que o descaso com o ensino resulta no enfraquecimento da influência da igreja no mundo: “Mostra a História que, todas as vezes que a Igreja desconsidera o seu Mandato Educacional, deixa de influenciar o mundo; e, deixando de influenciar o mundo, perde as características de povo de Deus”.  
        A EBD também exerce um papel público das ADs no contexto da educação cristã ao treinar e preparar os alunos para sua atuação não apenas como membro da igreja, mas um cidadão e uma cidadã inseridos no contexto da sociedade de modo geral. Um exemplo é o que aconteceu em São João do Miriti (RJ), em que a igreja montou uma classe da Escola Dominical para atender moradores de rua e viciados em drogas, através do projeto O Bom Samaritano. Diante do crescente número de pessoas em situação de rua, a igreja se mobilizou para devolver a dignidade a essas pessoas através do café da manhã, estudo bíblico e um cadastramento onde as pessoas são conduzidas para centros de recuperação da cidade. 
 
 
        Ao longo do tempo, alguns membros e líderes das ADs desvalorizaram a EBD e seu enfraquecimento é visível pelos seguintes fatos sugeridos: A mudança do dia da Escola Dominical que sempre ocorreu no domingo de manhã para outro dia da semana, muitas vezes substituindo algum culto. A diminuição dos participantes na EBD, especialmente as famílias que se espalhavam nas classes em suas respectivas faixas etárias. O desinteresse por parte dos líderes no aperfeiçoamento dos professores. E, a falta de apoio do pastor da igreja nas questões ligadas ao Departamento de Ensino da igreja. 
        O que fazer diante desses desafios? Sugestões práticas podem ser apresentadas nesse ponto: Que o dia da escola dominical seja aos domingos, com mudanças na liturgia, no estilo das aulas, nos métodos de ensino, mas aos domingos de manhã; que as famílias sejam incentivadas por meio de estudos bíblicos falando da importância do ensino bíblico e do impacto positivo às famílias cristãs; que haja treinamento para os professores por meio de cursos, seminários, workshops e palestras.
 
        Além disso, que o pastor da igreja dê total apoio ao departamento de ensino da congregação; que as EDs sejam devidamente aparelhadas, a fim de atender as necessidades espirituais, emocionais e sociais daqueles que a frequentam; que ela alcance todas as faixas etárias, conforme afirma Gilberto: “(1) As crianças recebem formação moral e espiritual, (2) os adolescentes forma sua personalidade cristã e os (3) adultos renovam suas forças morais e espirituais para um vida espiritual sempre frutífera e abundante”.  Ou seja, a EBD abarca todos os membros da igreja.
Celebrar 170 anos de atividades religiosas e educacionais é uma grande honra à memória do casal Kalley, dos protestantes brasileiros, de modo geral, e também dos pentecostais assembleianos que utilizaram e ainda utilizam a Escola Dominical como a maior agência de ensino da denominação. Ainda há muitos desafios a serem enfrentados, no entanto, milhares de templos espalhados nos mais longínquos locais do país, grupos de crianças, adolescentes, adultos e idosos chegam com suas revistas e suas Bíblias nas mãos, para a Escola Dominical. Glória a Deus por essa grande universidade que ensina, treina, fortalece e amadurece a vida de fé e prática de milhares de brasileiros.
Referências Bibliográficas
 
Alencar, Gedeon Freire de. Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus 1911-2011. Rio de Janeiro: Novos Diálogos, 2013.
 
Andrade, Claudionor Corrêa de. Teologia da Educação Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
 
Araujo, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.
 
Bandeira, Wesley Silva. Teologia para a vida cotidiana: uma análise das Lições Bíblicas das Assembleias de Deus para as Escolas Dominicais. Joinville, SC: Editora Santorini, 2020.
 
Daneluz, Abigail Albuquerque de Souza. Pressupostos pedagógicos e teológicos da EBD da Igreja Batista: uma leitura crítica da proposta de Lécio Dornas a partir de Paulo Freire e Juan Luis Segundo. 2010, 160 f. Dissertação (Mestrado em teologia) – Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2010. Disponível em: http://tede.metodista.br/jspui/bitstream/tede/554/1/Abigail%20Daneluz.pdf. Acesso em: 08.04.21.
 
Gilberto, Antônio. Manual da Escola Dominical. 17ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.
 
Nelson, Samuel. Samuel Nystrom: Pioneiro do ensino pentecostal em Escolas Bíblicas. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
 
Tuler, Marcos. Manual do Professor da Escola Dominical. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
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